Na sua qualidade de Presidente da União Europeia, e depois de ter consultado os seus parceiros, a Itália emitiu a seguinte declaração:

Os objectivos e prioridades da União Europeia em relação à Região dos Grandes Lagos têm em vista assegurar a paz, consolidar os processos de reconciliação nacional nos países implicados, facilitar o regresso a uma vida democrática normal, nomeadamente através da reinstauração do Estado de direito, e favorecer a recuperação económica e social.

Consciente da estreita relação que existe entre os diversos problemas políticos, económicos e humanitários que afectam a região e dos graves riscos de desestabilização que continuam a verificar­se, a União Europeia salienta que se impõe assumir uma abordagem global e atender à dimensão regional na busca de soluções duradouras para a crise.

A União Europeia considera que a presença de mais de um milhão e meio de refugiados na região constitui um importante factor de desestabilização e que o seu regresso aos países de origem, em condições de segurança e de dignidade, é um elemento essencial para o restabelecimento da paz.

A União Europeia apela aos chefes de Estado signatários das Declarações do Cairo e de Túnis para que honrem os compromissos assumidos, a fim de impedir, em especial, o tráfico de armas e o treino de diversas milícias e grupos armados que só vêm aumentar a insegurança na região. A União Europeia recorda, a este propósito, a Resolução nº 1053 das Nações Unidas e as disposições do plano de acção da Conferência de Bujumbura (12­17 de Fevereiro de 1995) relativas à prevenção de actividades subversivas nos países de asilo. Salienta igualmente que importa destacar observadores das Nações Unidas para os aeroportos e fronteiras.

A União Europeia está cada vez mais preocupada com a degradação da situação política e dos direitos humanos no Burundi e com a intensificação da violência. A persistência dos confrontos, as proporções que assumem em várias regiões do país e os assassínios e extorsões de que são vítimas as populações civis poderão arrastar o Burundi para uma engrenagem de conflito permanente.

A União Europeia condena firmemente todos os actos de recurso à violência, que não poderão de modo algum trazer uma solução para os problemas do país, e apela a todos os elementos do país para que se lancem na via da resolução negociada dos seus diferendos e para que cheguem a acordo sobre uma cessação imediata e geral da violência. A União Europeia apoia as iniciativas das Nações Unidas e da Organização da Unidade Africana com vista ao restabelecimento da paz, bem como os esforços que o ex­Presidente Nyerere está a envidar nesse sentido.

A União Europeia espera vivamente que os contactos empreendidos possam conduzir à instauração de um diálogo nacional aberto a todos os elementos do país. Manifesta igualmente o seu apoio aos esforços em curso por parte de diversas instâncias e personalidades, tais como os ex­Presidentes Carter e Touré e o Arcebispo Tutu.

A União Europeia recorda que também tomou iniciativas no sentido de resolver a crise e que, mais recentemente, nomeou um enviado especial para a região dos Grandes Lagos, Aldo Ajello, com o objectivo de apoiar os esforços que estão a ser envidados pelas Nações Unidas, pela Organização da Unidade Africana e por outras instâncias e personalidades, e nomeadamente de fomentar a organização de uma conferência regional sob a égide conjunta da ONU e da OUA, no âmbito da qual deverão ser analisadas e resolvidas as causas profundas da crise.

A União Europeia confirma a sua convicção de que é necessário convocar essa conferência com a maior brevidade.

A União Europeia recorda que está pronta a contribuir para as medidas concretas em prol da paz e da reconciliação no Burundi, nomeadamente no que respeita à organização de um diálogo nacional, ao apoio às acções de defesa dos direitos humanos e à reinstauração de um Estado de Direito. Mais recorda que está disposta a prosseguir o financiamento da missão de observação da Organização da Unidade Africana e da missão de observadores dos direitos humanos das Nações Unidas. Lembra igualmente que está pronta a contribuir para o restabelecimento económico e social do Burundi quando as condições políticas e de segurança permitirem empreender programas de recuperação no país.